Mãe de um dos presos na Chatuba afirma que filho é inocente
Ao todo, 19 pessoas foram presas e um menor, apreendido na comunidade.
Traficantes são procurados por chacina de 6 jovens moradores de Nilópolis.
Cristiane Cardoso
Do G1 RJ
Gerusa Gonçalves, mãe de Wallace, um dos suspeitos de envolvimento com o
tráfico na Favela da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense, preso
pela polícia na terça-feira (11), aguarda na porta da 53ª DP (Mesquita)
por notícias sobre uma possível transferência do filho para o Presídio
de Bangu. Gerusa, que está desde a manhã desta quarta-feira (12) na
entrada da delegacia, afirma que o jovem não tem envolvimento com a
morte dos seis rapazes de
Nilópolis, na noite de sábado (8), ou com tráfico.
Wallace, de 22 anos, foi detido dentro da casa da acusada conhecida
como “Loira”, que havia oferecido a ele um emprego, segundo informou
Gerusa. A mãe também disse que, no momento em que a polícia entrou na
favela, o jovem estaria buscando documentos de identidade e CPF na casa
de “Loira”. Junto com a mulher e Wallace, também foi detido Daniel, de
quem seriam as drogas encontradas na casa. Segundo Gerusa, a própria
“Loira”, no momento da prisão, teria apontado Daniel como o dono das
drogas.
“Se eu tivesse qualquer dúvida que meu filho estaria envolvido com a
morte desses meninos ou com drogas, eu não estaria aqui na porta da
delegacia”, desabafou Gerusa. A polícia ainda está investigando o
envolvimento de Wallace com as drogas encontradas e com as mortes dos
seis jovens.
O delegado Júlio da Silva Filho, titular da 53ª DP (
Mesquita),
encaminhou à Justiça, na manhã desta quarta-feira (12), o pedido de
prisão temporária de 30 dias, contra os líderes do tráfico na comunidade
da Chatuba, na Baixada Fluminense, suspeitos de envolvimento na chacina
dos seis adolescentes.
Até o momento, 20 pessoas foram presas, sendo 17 homens, duas mulheres e
um adolescente. A operação realizada na terça-feira (11) na comunidade
já resultou na apreensão de grande quantidade de drogas, um fuzil com
luneta, uma submetralhadora e dois revólveres, além de cerca de R$ 28
mil em espécie.
Segundo o coronel Frederico Caldas, relações públicas da PM, a partir
da ocupação definitiva da comunidade vai ser instalada uma Companhia
Destacada, com efetivo de 112 policiais. "É uma resposta imediata aos
atos bárbaros que foram cometidos no final de semana. O relato dos
moradores é dramático. A convivência com esses marginais fazia parte da
rotina deles. Essa ação é uma reconquista desse território e uma
garantia de tranquilidade aos moradores", completou Caldas.
Segundo moradores que preferiram não se identificar, a chegada da
polícia aconteceu em boa hora. "Moro aqui há 55 anos e a situação estava
ficando cada vez pior. Espero que agora as coisas melhorem", disse uma
moradora, ressaltando que tinha receio até de chegar ao portão de casa.
Posto de saúde na Chatuba permenece fechado nesta quarta-feira (Foto: Marcos Tristão / Ag. O Globo)
A onda de violência na Chatuba e a ocupação policial na comunidade
deixam cerca de quatro mil alunos sem aula nesta quarta. De acordo com a
assessoria de imprensa da prefeitura de Mesquita, seis escolas, duas
creches e dois postos de saúde permanecerão fechados pelo segundo dia
consecutivo.
Já as unidades da rede estadual voltam a funcionar normalmente, segundo
a Secretaria Estadual de Educação. Na terça-feira (11), 14 unidades de
educação, no total de 9 mil alunos, não tiveram aulas por conta da
operação de ocupação da Chatuba.