Possível rival, Corinthians é assunto pouco falado no Chelsea... de Gana
Xará do atual campeão europeu larga bem na disputa africana que dará uma vaga no Mundial de Clubes no fim do ano
Por Lucas Loos
Rio de Janeiro
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Por mais que possa ser dito o contrário, é inegável que o mais roxo dos
corintianos não tira um time da cabeça desde o último dia 4, quando
faturou a
Libertadores. Trata-se, obviamente, do inglês Chelsea, possível adversário do Timão na final do
Mundial de Clubes,
em dezembro. O que este torcedor pode não saber é que um homônimo do
atual campeão europeu pode cruzar o caminho alvinegro rumo ao tão
sonhado bi mundial. De Gana, o Berekum Chelsea disputa a Champions
League africana pela primeira vez e, após uma boa largada (com uma
vitória e um empate fora de casa), briga por uma vaga no Japão, mas com
os pés no chão.
- Ainda estamos muito longe do Mundial. Este Chelsea tem jogadores
jovens. Então, pensamos jogo por jogo e não vamos falar de Corinthians
ou qualquer outro time por enquanto. Nossa meta de momento é bem clara:
chegar às semifinais da Champions. É lógico que será fantástico
enfrentar o outro Chelsea. Mas prefiro não ir tão longe ainda, apesar de
tudo ser possível no futebol - disse o treinador da equipe, o holandês
Hans Van der Pluijm, desde novembro no Chelsea e há 16 anos em Gana.
Clube mudou de nome quatro anos após ser fundado por torcedores do Chelsea (Reprodução / Site Oficial)
Logo, a palavra de ordem do Chelsea (o de Gana) é humildade. E isto tem
explicação. Com um investimento que passa longe dos milhões gastos toda
temporada pelo xará britânico, os africanos têm uma extensa lista de
“contras”: apenas 12 anos de história; pouca tradição no futebol local;
vêm de uma cidade sem peso (cerca de sete mil vivem em Berekum); e não
há um suporte financeiro - muito diferente do Chelsea rico, que tem as
contas pagas pelo russo Roman Abramovich.
Passo a passo até o Japão
Agyemang é orientado por Van der Pluijm: holandês
vive há 16 anos em Gana (Reprodução / Site Oficial)
Sem investimento e tradição, a solução foi trabalhar. Os primeiros
frutos saíram na temporada 2010/11, com a inédita conquista da Premier
League de Gana, e - de brinde - a classificação para a Champions League,
a versão africana da Libertadores, que dá vaga ao Mundial. O sorteio
não foi lá muito gentil com o Chelsea, que parou no mesmo grupo do
Mazembe, algoz do Inter no Mundial de 2010, e do Al Ahly, terceiro
colocado da competição internacional em 2006.
Caminho do bi: Timão estreia dia 12 de dezembro em Toyota. Veja o calendário
Dentro de campo, o que se vê é a equipe de Gana com personalidade: a
estreia foi com uma vitória por 3 a 2 dentro de casa sobre o Zamalek, do
Egito. Em seguida, no último dia 22, eles arrancaram um empate contra o
favorito Mazembe, no Congo, o que muda um poucou as coisas e trouxe o
deixou um pouco de favoritismo em Berekum.
- Observando este espírito de briga do Berekum Chelsea, eu tenho a
forte convicção que eles vão estar na final e não seria surpresa alguma
se eles encarassem os xarás do Chelsea no Mundial de Clubes. Eles têm
apenas que ajeitar a defesa e garantir que o Clottey vai manter sua
forma durante o torneio - diz o jornalista Kent Mensah, da versão de
Gana do site “Goal.com”, em referência ao atacante Emmanuel Clottey, que
marcou todos os cinco gols do time na Champions até agora.
Clottey é o artilheiro do Chelsea: ele marcou os cinco gols do time na Champions (Reprodução / Site Oficial)
Com oito times divididos em dois grupos com turno e returno, a
Champions da África tem um regulamento simples. Avançam os dois
primeiros de cada chave, que se cruzam nas semis, antes da grande
decisão.
A situação do grupo do Chelsea é a seguinte: o Al Ahly é o líder, com
seis pontos, enquanto a equipe de Gana aparece logo em seguida, com
quatro. O Mazembe tem um único ponto, resultado do empate do dia 22, e o
Zamalek amarga a lanterna. As semifinais acontecem entre os dias 5 e 21
de outubro, e as finais, entre 2 e 11 de novembro.
O Semereka virou Chelsea
Capitão Owusu Jackson recebe taça do presidente
de Gana (Foto: Reprodução / Site Oficial)
O clube foi fundado em 2000 com o nome de Semereka FC por dois nativos
de Berekum: Emmanuel Kyeremeh e Obed Nana Nketiah. Torcedores fanáticos
do Chelsea da Inglaterra, os donos decidiram, em 2004, que era hora de
mudar e se inspiraram no famoso xará britânico para rebatizarem o clube,
além de adotarem o nome da cidade.
Fifa divulga informações sobre
ingressos para o Mundial de Clubes
O intuito, segundo os fundadores, era criar empregos para jovens da
cidade. O projeto deu certo e, inicialmente, 75% do time era formado por
locais de Berekun. As coisas, entretanto, mudaram ao longo desses
últimos 12 anos, o time atingiu a elite e apenas um jogador da equipe
original sobreviveu às ações do tempo: Jackson Owusu. Hoje, apenas
quatro atletas do elenco atual são de Berekum.
Gana se veste de azul
Os maiores campeões da primeira divisão local são Asante Kotoko e
Hearts of Oak, com 22 e 20 títulos, respectivamente, e o Chelsea passa
longe dos dois maiores times do país em tradição. O Coronation Park,
acanhado estádio do clube (com capacidade para 10 mil torcedores),
também não inspira medo nos adversários. Sem grandes rivais, a jovem
equipe de Hans Van der Pluijm tem a simpatia do resto de Gana e pode-se
dizer que representa o país na competição continental.
- Viemos de uma cidade pequena de apenas sete mil habitantes. Mas eu
consigo ver toda a população de Gana torcendo pelo Chelsea - diz o
treinador.
Chelsea em ação pela Champions: time tem a simpatia dos rivais em Gana (Reprodução / Site Oficial)
Assim como faltam torcida e tradição, o clube também não pode se gabar
de ser uma potência financeira, como no caso do rico xará inglês. Sem um
patrocinador, o Chelsea tem que se virar com um orçamento limitado e a
aposta é na filosofia de um elenco humilde, mas com salários em dia.
- Não temos patrocinadores. Temos apenas uma pessoa que controla a
equipe e buscamos ainda uma parceria. Mas não há problema quanto a isso.
Pagamos tudo em dia.
O próximo compromisso do Chelsea pela Champions League será decisivo. O
time de Van der Pluijm vai ao Egito duelar contra o líder do grupo, Al
Ahly, onde uma vitória pode ser um passo e tanto para as semifinais. No
Grupo A, o Espérance, time da Tunísia que disputou o último Mundial,
lidera com seis pontos, seguido do compatriota Étoile du Sahel, com 4.
Sunshine Stars, da Nigéria, vem em seguida (1 ponto), enquanto o Chlef,
da Algéria, amarga a lanterna da chave.
Fonte: Globo Esporte